terça-feira, 28 de julho de 2009

As Meninas - Cecília Meireles



Arabela
abria a janela.
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Carolina
erguia a cortina.
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E Maria
olhava e sorria:
"Bom dia!"
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Arabela
foi sempre a mais bela.
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Carolina
a mais sábia menina.
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E Maria
Apenas sorria:
"Bom dia!"
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Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.
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Mas a nossa profunda saudade
é Maria, Maria, Maria,
que dizia com voz de amizade:
"Bom dia
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Os números do menino guloso - Luísa Ducla Soares


Dá-me bolinhos
mas não só um.
Desde o almoço
faço jejum.
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Dá-me bolinhos
mas não só dois.
Como um agora
outro depois.
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Dá-me bolinhos
mas não só três,
que os vou papar
duma só vez.
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Dá-me bolinhos
mas não só quatro,
para os provar
logo no quarto.
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Dá-me bolinhos
mas não só cinco.
Com tanta fome
eu bem os trinco.
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Dá-me bolinhos
mas não só seis,
todos maiores
que bolos reis.
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in Poemas da Mentira e da Verdade, Livros Horizonte
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Ilustração: Petra Elster
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terça-feira, 2 de junho de 2009

O Relógio - Vinícius de Moraes

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Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac…
..

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Cachorradas - José Paulo Paes



- Você sabe por que o cachorro entra na Igreja?
- Ora, essa quem não acerta?
Porque a porta estava aberta!
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- E você sabe por que ele sai?
- Porque a porta estava aberta.
- Não, errou: porque ele entrou!
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- E quando é que o cachorro não pode entrar?
- Quando a porta está fechada.
- Que nada! Quando já está lá dentro.
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- E para terminar: sabe por que o cachorro
ergue a perninha e a encosta no poste
quando está necessitado?
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- É porque uma vez o poste caiu em cima do coitado!
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Quem sou eu? - Pedro Bandeira


Eu às vezes não entendo!
As pessoas em um jeito
De falar de todo mundo
Que não deve ser direito.
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Aí eu fico pensando
Que isso não está bem.
As pessoas são quem são,
Ou são o que elas têm?
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Eu queria que comigo
Fosse tudo diferente.
Se alguém pensasse em mim,
Soubesse que eu sou gente.
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Falasse do que eu penso,
Lembrasse do que eu falo,
Pensasse no que eu faço
Soubesse por que me calo!
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Porque eu não sou o que visto.
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou!
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Porquinho-da-Índia - Manuel Bandeira



Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .
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— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

Infância - Maria Inês Chaves de Andrade


Na pereira alta
A pera
Desesperada
Espera pela
Boca peralta
Que perambula
Pela pirambeira
E perante a pera
Nem acha a pereira alta.
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Imagem retirada do site:
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