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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Rio na sombra - Cecília Meireles



Som
frio.
.
Rio
Sombrio.
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O longo som
do rio
frio.
.
O frio
bom
do longo rio.
.
Tão longe,
tão bom,
tão frio
o claro som
do rio
sombrio!
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Imagem retirada do site:
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ciranda - Cecília Meireles


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Eu queria ser a rosa
lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá,
E, vivendo num jardim,
.
Ter besouros, borboletas,
lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá,
Cirandando ao pé de mim ! ...
.
Eu queria ser a praia,
Ló-ló-ró-ló-ló-ló-ló.
Onde as ondas vão brincar;
.
E seria toda a vida,
Ló-ló-ró-ló-ló-ló-ló.
Bem querida pelo mar !
.
Eu queria ser estrela,
Li-li-ri-li-li-li-li,
sendo a noite minha irmã,
.
Para despontar à tarde,
Li-li-ri-li-li-li-li,
E esconder-me de manhã ! ...
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terça-feira, 28 de julho de 2009

As Meninas - Cecília Meireles



Arabela
abria a janela.
.
Carolina
erguia a cortina.
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E Maria
olhava e sorria:
"Bom dia!"
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Arabela
foi sempre a mais bela.
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Carolina
a mais sábia menina.
.
E Maria
Apenas sorria:
"Bom dia!"
.
Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.
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Mas a nossa profunda saudade
é Maria, Maria, Maria,
que dizia com voz de amizade:
"Bom dia
.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Língua de Nhem - Cecília Meireles


Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.
.
E estava sempre em casa

a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
.
O gato que dormia

no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
.
a miar nessa língua

e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
.
Depois veio o cachorro

da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,
.
e todos aprenderam

a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
.
De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,
.
ficou toda contente,

pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Canção de Dulce - Cecília Meireles

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Dulce, doce Dulce,
menina do campo,
de olhos verdes de água
de água e pirilampo.
Doce Dulce, doce
dócil, estendendo
pelo sol lençóis
entre anil e vento.
Dócil, doce Dulce
de face vermelha,
doce rosa airosa
a fugir da abelha,
da abelha, de vespas
e besouros tontos,
pelo arroio de ouro
de seixos redondos...
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pequena canção - Cecília Meireles

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Pássaro da lua,
que queres cantar,
nessa terra tua,
sem flor e sem mar?
.
Nem osso de ouvido
Pela terra tua.
Teu canto é perdido,
pássaro da lua...
.
Pássaro da lua,
por que estás aqui?
Nem a canção tua
precisa de ti!
.

O tempo do temporal - Cecília Meireles

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O tempo
do temporal.
O templo ao tempo
ao ar
e ao pé
do temporal.
E o doente ao pé do templo.
E o temporal no poente.
E o pó no doente.
.
O tempo do doente.
.
O ar, o pó do poente
O temporal do tempo
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O colar de Carolina - Cecília Meireles

,
Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina
O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.
E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral
nas colunas da colina.
,

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Chovem Duas Chuvas - Cecília Meireles


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Chovem duas chuvas:
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e nuvens.
.
Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.
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E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens.
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Passarinho no sapé - Cecília Meireles


O P tem papo
o P tem pé.
É o P que pia?
.
(Piu!)
.
Quem é?
O P não pia:
o P não é.
O P só tem papo
e pé.
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Será o sapo?
O sapo não é.
.
(Piu!)
.
É o passarinho
que fez seu ninho
no sapé.
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Pio com papo.
Pio com pé.
Piu-piu-piu:
Passarinho.
.
Passarinho
no sapé.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

HOJE É DIA DE CECÍLIA! BLOGAGEM COLETIVA




Cantiga da Babá - Cecília Meireles
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Eu queria pentear o menino
como os anjinhos de caracóis.
Mas ele quer cortar o cabelo,
porque é pescador e precisa de anzóis.
Eu queria calçar o menino
com umas botinhas de cetim.
Mas ele diz que agora é sapinho
e mora nas águas do jardim.
Eu queria dar ao menino
umas asinhas de arame e algodão.
Mas ele diz que não pode ser anjo,
pois todos já sabem que ele é índio e leão.
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(Este menino está sempre brincando,dizendo-me coisas assim.
Mas eu bem sei que ele é um anjo escondido,um anjo que troça de mim.)
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**** Blogagem Coletiva sugerida pela querida amiga Leonor Cordeiro (http://leonorcordeiro.blogspot.com) para homenagear mais um ano de nascimento de Cecília Meireles.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Moda da Menina Trombuda - Cecília Meireles

É a moda
da menina muda
da menina trombuda
que muda de modos
e dá medo.

(A menina mimada!)

É a moda da menina muda
que muda de modos
e já não é trombuda.

(A menina amada!)
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