Havia uma velhinha que andava aborrecida pois dava a sua vida para falar com alguém. . E estava sempre em casa a boa velhinha resmungando sozinha: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem... . O gato que dormia no canto da cozinha escutando a velhinha, principiou também . a miar nessa língua e se ela resmungava, o gatinho a acompanhava: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem... . Depois veio o cachorro da casa da vizinha, pato, cabra e galinha de cá, de lá, de além, . e todos aprenderam a falar noite e dia naquela melodia nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem... . De modo que a velhinha que muito padecia por não ter companhia nem falar com ninguém, . ficou toda contente, pois mal a boca abria tudo lhe respondia: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem... .
Dulce, doce Dulce, menina do campo, de olhos verdes de água de água e pirilampo. Doce Dulce, doce dócil, estendendo pelo sol lençóis entre anil e vento. Dócil, doce Dulce de face vermelha, doce rosa airosa a fugir da abelha, da abelha, de vespas e besouros tontos, pelo arroio de ouro de seixos redondos...
. Pássaro da lua, que queres cantar, nessa terra tua, sem flor e sem mar? . Nem osso de ouvido Pela terra tua. Teu canto é perdido, pássaro da lua... . Pássaro da lua, por que estás aqui? Nem a canção tua precisa de ti! .
O tempo do temporal. O templo ao tempo ao ar e ao pé do temporal. E o doente ao pé do templo. E o temporal no poente. E o pó no doente. . O tempo do doente. . O ar, o pó do poente O temporal do tempo
(Este menino está sempre brincando,dizendo-me coisas assim.
Mas eu bem sei que ele é um anjo escondido,um anjo que troça de mim.)
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**** Blogagem Coletiva sugerida pela querida amiga Leonor Cordeiro (http://leonorcordeiro.blogspot.com) para homenagear mais um ano de nascimento de Cecília Meireles.