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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Borralheira - Luís Guimarães Júnior

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Meigos pés, pequeninos, delicados,
Como um duplo lilás, se os beija-flores
Vos descobrissem entre as outras flores,
Que seria de vós, pés adorados!
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Como dois gêmeos silfos animados,
Vi-vos ontem pairar entre os fulgores
Do baile, ariscos, brancos, tentadores,
Mas, ai de mim! como os mais pés, calçados.
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Calçados como os mais! Que desacato!
Disse eu... Vou já talhar-lhes um sapato
Leve, ideal, fantástico, secreto...Ei-lo.
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Resta saber, Anjo faceiro,
Se acertou na medida o sapateiro:
Mimosos pés, calçai este soneto.
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terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Sono de um Anjo - Luís Guimarães Júnior


(Fotografia de Anne Geddes)
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Quando ela dorme, como dorme a estrela
Nos vapores da tímida alvorada,
E a sua doce fronte extasiada,
Mais perfeita que um lírio, e tão singela,
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Tão serena, tão lúcida, tão bela,
Como dos anjos a cabeça amada,
epousa na cambraia perfumada,
Eu velo absorto o casto sono dela.
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E rogo a Deus, enquanto a estrela brilha,
Deus que protege a planta e a flor obscura,
E nos indica do futuro a trilha,
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Deus, por quem toda a criação se humilha,
Que tenha pena dessa criatura,
Desse botão de flor — que é minha filha.
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