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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Canção da garoa - Mário Quintana


Em cima do meu telhado,
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.
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O relógio vai bater;
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.
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E chove sem saber por quê...
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin...
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Desenho de Ruth Morehead
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Visita - Ribeiro Couto

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Um raio de sol atravessa a janela.
Alegria entrou com esse raio de sol.
Como está claro agora o meu quarto de doente!
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Se eu fosse um raio de sol não desceria a um quarto de doente.
Iria para aquela nuvem que vai passando lá longe,
aquela nuvenzinha branca no céu azul,
para viajar com ela, para ser feliz...
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Entretanto, fica, raio de sol.
Espera um momento, raio de sol...
Meu raio de sol...
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Bailarina - Rosângela Trajano


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Baila na ponta do pé
Baila e baila no ar
Tão arrumadinha
A linda menina
Baila bailarina
Minha avezinha.
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Bailarina pequenina
Que voa no ar
Magrinha e sorridente
Pássaro a voar.
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Bailarina bonitinha
Me ensinou a bailar
Como é difí­cil
Minha bailarina
Na vida se equilibrar!
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A bailarina
Mais parece
Uma flor
Leve, levinha
Um amor
Uma gracinha.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ciranda - Cecília Meireles


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Eu queria ser a rosa
lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá,
E, vivendo num jardim,
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Ter besouros, borboletas,
lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá,
Cirandando ao pé de mim ! ...
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Eu queria ser a praia,
Ló-ló-ró-ló-ló-ló-ló.
Onde as ondas vão brincar;
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E seria toda a vida,
Ló-ló-ró-ló-ló-ló-ló.
Bem querida pelo mar !
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Eu queria ser estrela,
Li-li-ri-li-li-li-li,
sendo a noite minha irmã,
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Para despontar à tarde,
Li-li-ri-li-li-li-li,
E esconder-me de manhã ! ...
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terça-feira, 28 de julho de 2009

As Meninas - Cecília Meireles



Arabela
abria a janela.
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Carolina
erguia a cortina.
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E Maria
olhava e sorria:
"Bom dia!"
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Arabela
foi sempre a mais bela.
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Carolina
a mais sábia menina.
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E Maria
Apenas sorria:
"Bom dia!"
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Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.
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Mas a nossa profunda saudade
é Maria, Maria, Maria,
que dizia com voz de amizade:
"Bom dia
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Quem sou eu? - Pedro Bandeira


Eu às vezes não entendo!
As pessoas em um jeito
De falar de todo mundo
Que não deve ser direito.
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Aí eu fico pensando
Que isso não está bem.
As pessoas são quem são,
Ou são o que elas têm?
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Eu queria que comigo
Fosse tudo diferente.
Se alguém pensasse em mim,
Soubesse que eu sou gente.
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Falasse do que eu penso,
Lembrasse do que eu falo,
Pensasse no que eu faço
Soubesse por que me calo!
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Porque eu não sou o que visto.
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou!
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Por Olavo Bilac ...


"É preciso, desde a infância
Ir preparando o futuro;
Para chegar à abundância,
É preciso trabalhar.
Não nasce a planta perfeita,
Não nasce o fruto maduro,´
E para ter a colheita
É preciso semear."
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Caixinha Mágica - Roseana Murray



Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.
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Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.
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O que é que você quer
esconder na minha caixa?
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O menino que carregava água na peneira - Manoel de Barros



Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
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O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
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A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
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Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
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A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O ron-ron do gatinho - Ferreira Gullar



O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
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Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
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Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho.
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