Mostrando postagens com marcador Zalina Rolim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zalina Rolim. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Prece - Zalina Rolim



REZAR, filhinhas, é sentir-se a gente
Mais perto de Jesus, do céu mais perto.
Quem volve os olhos deste mundo, sente,
O coração, para outro mundo, aberto.
,
E a doce paz, que inspira a crença, avulta;
E cresce pouco a pouco; e infunde, na alma
Dos que rezam, a fé na força oculta,
Que as agonias desta vida acalma.
,
"E Jesus ouve a todos, Mamãezinha?"
- Sim, meu amor, e dá remédio a tudo;
Nem só ouve, mas olha e adivinha
Muito martírio inconsolado e mudo.
,
E em todos verte o bálsamo divino,
Que conforta, e alivia, e dá esperança,
Como o frescor de um veio cristalino,
Em cujo espelho o nosso olhar descansa.
,
Escuta a voz de tudo o que tem vida,
Desde o animal à planta mais obscura,
E, onde pressente incógnita ferida,
Seus olhos pousa com maior ternura.
,
É por isso que a gente em graça ou pena,
Flutuando em gozo, ou se afogando em mágoa,
Eleva, crente, à vastidão serena
Do céu, os mesmos olhos rasos d'água.
,
Para falar a Deus, nos vossos beijos
Meus lábios muita vez perfumo e adoço;
E, ouço em torno de mim santos adejos,
Quando comigo murmurais: "Pai Nosso!"
,

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

No Mar - Zalina Rolim


(Fotografia de Kim Anderson)
.
.
TOALHAS verdes, alva espuma,
Areia branca sem fim,
E as ondas, que, de uma a uma,
Vêm quebrar-se ao pé de mim.
.
Longe, um barco leve, leve,
Cortando o espelho do mar,
Com velas brancas de neve,
Que o vento enfuna a cantar.
.
E o barco avança ligeiro
Num garbo de quem conduz
Gozo plácido e fagueiro
Das águas a flux.
.
Vem de outras terras e praias,
Que eu não conheço, e nem sei
Onde assentam suas raias,
Qual seu nome e sua lei.
.
No largo bojo profundo,
Que lindas cousas não traz!
Vem das plagas de outro mundo?
É mensageiro de paz?
.
Uma canção, doce e bela,
Voz de marinheiros, vem,
Numa toada singela,
Que afaga o peito e faz bem.
.
E eu sonho ignotos países;
Céus de esplêndido fulgor;
Vergéis de ricos matizes;
Rios de ingente rumor;
.
Cidades, palácios, quintas;
Sons de outra língua; outra voz;
Decorações de áureas tintas,
E outros povos como nós...
.
E a visão prende-se a vista...
E eu sonho - crescer... crescer...
E, olhos de sábio e de artista,
Por todo o mundo estender.
.