quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009 está chegando...


Canção Amiga - Carlos Drummond de Andrade


Eu preparo uma canção
Em que minha mãe se reconheça
Todas as mães se reconheçam
E que fale como dois olhos
.
Caminho por uma rua
Que passa em muitos países
Se não me vêem, eu vejo
E saúdo velhos amigos
.
Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram
.
Minha vida, nossas vidas
Formam um só diamante
Aprendi novas palavras
E tornei outras mais belas
.
Eu preparo uma canção
Que faça acordar os homens
E adormecer as crianças
.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Férias - Rosângela Trajano



Eu vou viajar!
Eu vou dormir
Até mais tarde!
Nem vou me importar
Se o despertador
Não parar de tocar!
É férias!
Eu vou à praia
Tomar banho de mar
Vou ver o sol
Vou me bronzear!
É férias!
Eu vou passear
Andar por aí
Sem hora pra voltar
Sem medo de me atrasar!
Vou cochilar
Depois do almoço
Ficar de pijama
O dia inteiro
Dentro de casa
Passar horas no chuveiro!
É férias!
Nada de preocupação
Nenhuma reunião
Só viajar de avião
E dar alegria
Ao meu coração!
.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

As nuvens e as infâncias - José Augusto G. de Almeida

.
“Olha aquela, é um avião”.
“Estou vendo uma flecha”.
“Uma carroça”.
Era assim que passávamos horas e horas nos divertindo com as nuvens, que,
para todas as crianças daquela época não eram nuvens,
eram animais, objetos dos mais diversos, todos os que podíamos imaginar
Do que elas eram feitas?
Tal curiosidade não era o suficiente para tirar nossas atenções.

Vislumbrávamos mais um macaco que acabara de se formar, minutos antes a mesma nuvem
era um elefante, ou uma elefanta? Nossa meninice se enveredava pelos ares todas as vezes que
chegávamos da escola primária, nosso passa tempo predileto,
tirando os brinquedos que criávamos e os esmerilávamos nas ruas de chão
do bairro pobre da cidade.

Ah, aquilo sim era infância!
Agora, somos homens crescidos, cada um seguiu um rumo diferente.
Continuo a ver “coisas” nas nuvens.

Infelizmente meus filhos não conseguem, para eles, as nuvens são nuvens, apenas nuvens.
.
.

Pássaro ser - Santuza Abras

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Na minha alma em flor
Paira um não sei quê de passarinho.
Bem-te-vi ou beija-flor?
Azulão ou sabiá?
Sei lá...
No meu coração de criança
Tem sempre uma voz que não se cansa
De dizer: — Bem-te-vi, bem-te-vi, te vi...
E quando eu adentro matas, florestas, parques
Ou locais arborizados
Conheço-os pelos seus trinados
E os avisto como que reconhecendo terreno
De irmão.
Neste meu coração
Pelos pássaros livres, apaixonado.
.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Receita para ser feliz - Rosângela Trajano



1 kg de coragem
1 xícara de esperança
½ colher de chá de humildade 2 copos de verdade
3 litros de tolerância.
.
Bata tudo no pensamento
Unte seu coração
Despeje nele os ingredientes
Agora é só esperar um momento
Conte até três
Está pronto!
.
Sirva para todos de casa:
A felicidade.
.

Canção de Dulce - Cecília Meireles

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Dulce, doce Dulce,
menina do campo,
de olhos verdes de água
de água e pirilampo.
Doce Dulce, doce
dócil, estendendo
pelo sol lençóis
entre anil e vento.
Dócil, doce Dulce
de face vermelha,
doce rosa airosa
a fugir da abelha,
da abelha, de vespas
e besouros tontos,
pelo arroio de ouro
de seixos redondos...
.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Está chegando o Natal !!! - Renata Christina Machado de Oliveira



Está chegando o Natal
Anuncia o belo corinho
Que com alegria de sobra
Espera o Bom Velhinho.
.
Animados contam as horas
Esperando com emoção
Que ele sem demora
Traga presentes de montão.
.
Papai e mamãe avisam:
Natal não é só ganhar
E para eles reprisam
O que Jesus viveu para nos salvar.
.
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Noite está bonita - Raul Bopp



Noite está bonita
parece envidraçada
.
Dormem sororoquinhas na beira do rio
árvores nuas tomam banho
.
Jacarés em férias
mastigam estrelas que se derretem dentro d’água
.
Entre toiceiras de macegas
passa uma suçuarana com sapatos de seda
.
Ventinho penteia as folhas de embaúba
.
A paisagem se desfia num pano de fundo
.
Cunhado Jabuti torceu caminho
– Dê lembranças à dona Jabota
.
Enquanto é noite
com todo esse céu espaçoso e tanta estrela
vamos andando machucando estradas mais pra diante
.

Navio pirata - Ribeiro Couto


.
Navio pirata
De um mar confidente,
Levando ouro e prata,
.
Percorre caminhos
Sabidos somente
Dos gênios marinhos.
.
Pela madrugada,
Olha nas vigias
Uma luz cansada
.
E outra luz responde
Nas águas vazias
- Não se sabe de onde.
.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Profissões - José Paulo Paes

O marujo Marinheiro pequenino
bebeu água ao se deitar.
Acordou de madrugada:
a sua cama era um mar.
O carpinteiro Bate bate martelinho
mas não bata feito cego.
cuidado com o meu dedo q
ue o meu dedo não é prego.
O bombeiro Blen blen blen blen
Quem vem? Quem vem?
É o bombeiro e vem ligeiro.
Alguém o chama para apagar a chama.
ele vem que vem blen blen blen blen.
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sábado, 20 de dezembro de 2008

O ABC da vida... - Berenice Gehlen Adams



Devemos amar e respeitar...
a Á RVORE que dá sombra, que dá frutos.
a B ALEIA que vive a nadar pelo mar.
a C ACHOEIRA que vive a vida a correr.
o D INOSSAURO que viveu há milhões de anos atrás...
a E COLOGIA que é a ciência que estuda a vida.
a F IGUEIRA que é uma árvore frondosa e faceira.
a G IRAFA que é pescoçuda como uma garrafa.
o H IPOPÓTAMO que é pesado e gosta de água.
o Í NDIO que vive em aldeias na mata.
o J ACARÉ que rasteja devagar e sabe nadar.
a L ARANJA que guarda um suco saboroso.
o M AR que é imenso e tem água salgada.
a N ATUREZA que nos encanta com sua beleza.
o O ZÔNIO que protege a Terra.
o P LANETA que vive a vida a girar.
o Q UATI que tem a cauda comprida com anéis de pêlos pretos.
o R IO que corre para o mar como quem vai se atrasar.
a S ELVA que é um lugar habitado por animais selvagens.
a T ERRA que é o planeta em que vivemos.
o U NIVERSO que é onde existem planetas, estrelas, asteróides.
o V ENTO que é o ar em movimento.
o X AXIM que é planta que tem o tronco formado por raízes.
E Z ELAR pelo nosso amado Planeta Terra.
.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Patacoada - José Paulo Paes

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A pata empata a pata
porque cada pata
tem um par de patas
e um par de patas
um par de pares de patas.
.
Agora, se se engata
pata a pata cada pata
de um par de pares de patas,
a coisa nunca mais desata
e fica mais chata
do que pata de pata.
.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ana e o Pernilongo - José Paulo Paes

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1
Toda semana
eu me lembro da Ana
Para mim não há semANA
sem Ana.
.
2
Havia um pernilongo
chamado Lino
que tocava violino.
Mas era tão pequenino
o Lino
e tocava tão fino
o seu violino,
que nunca ouvi o Lino
nem vi o Lino.
.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pequena canção - Cecília Meireles

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Pássaro da lua,
que queres cantar,
nessa terra tua,
sem flor e sem mar?
.
Nem osso de ouvido
Pela terra tua.
Teu canto é perdido,
pássaro da lua...
.
Pássaro da lua,
por que estás aqui?
Nem a canção tua
precisa de ti!
.

Astronauta - Cleonice Rainho

.

(A Conquista da Lua - Vicente do Rego Monteiro)
.
Entrar num satélite
mergulhar no horizonte
pela azul distência.
.
Encontrar as estrelas
na esfera imensa,
dando adeusinho
aos corpos celestes.
.
Com a velocidade da luz,
tomar o rumo de Saturno
e ficar na órbita
do planeta fascinante:
as palmas bailando,
os anéis luminosos
nos dedos de minhas mãos.
.

Eu ia trabalhar ... - Richard Le Galliene




Eu ia fazer meu trabalho, hoje cedo,
Mas um passarinho cantou no arvoredo,
E as borboletas no campo esvoaçavam,
E as verdes folhagens todas me acenavam
.
E a brisa soprava suave no prado,
Balançando a relva, prum lado e outro lado,
E o lindo arco-íris a mão me estendeu:
Como resistir-lhes? Sorri - e lá fui eu!
.

O tempo do temporal - Cecília Meireles

.
O tempo
do temporal.
O templo ao tempo
ao ar
e ao pé
do temporal.
E o doente ao pé do templo.
E o temporal no poente.
E o pó no doente.
.
O tempo do doente.
.
O ar, o pó do poente
O temporal do tempo
.

Jacaré lava o pé - Eloí Elisabet Bocheco

;
O jacaré esfrega o pé com água e sabão
Enxágua e repete trinta vezes a operação
Se acha uma craquinha, começa tudo outra vez.
.
Imagine a conta d'água no fim do mês!
Nada abala o jacaré quando lava o pé.
.
Cadeirinha de Dendê?
Seu jacaré nem vê.
.
Manjar de ameixa?
Jacaré olha e deixa.
.
Molho pardo com guisado?
Jacaré acha engraçado e põe de lado.
.
Empadinhas de frango?
Jacaré diz que embrulha o estômago.
.
Feijão com ovo?
Jacaré grita: de novo!
.
Biscoitinhos de baunilha?
O jacaré distribui pra família.
.
Não tem jeito! Jacaré quando lava o pé,
só pára quando quer.

Escova de Dentes - Rosângela Trajano

.
Meus dentinhos vou limpar
Escovando-os, depois que me alimentar
E antes de, à noite, me deitar
Para nunca com dor reclamar.
.
Quero um sorriso bonito
Com dentes de artista
Por isso sempre visito
O consultório do dentista.
.
Aplico o flúor
Uso fio dental
Troco sempre a escova de dentes
Faço toda a higiene bucal.
.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Canoa - Henriqueta Lisboa




.
Alto-mar uma canoa
sozinha navega.
Alto-mar uma canoa
sem remo nem vela.
.
Alto-mar uma canoa
com toda coragem.
Alto-mar uma canoa
na primeira viagem.
.
Alto-mar uma canoa
procurando estrela.
Alto-mar uma canoa
não sabe o que a espera.
.

Parêmia de Cavalo - Carlos Drummond de Andrade

(Pintura de Sérgio Bastos)
.
.
Cavalo ruano corre todo o ano
Cavalo baio mais veloz que o raio
Cavalo branco veja lá se é manco
Cavalo pedrês compro dois por mês
Cavalo rosilho quero com filho
Cavalo alazão a minha paixão
Cavalo inteiro amanse primeiro
Cavalo de sela mas não pra donzela
Cavalo preto chave de soneto
Cavalo de tiro não rincho, suspiro
Cavalo de circo não corre uma vírgula
Cavalo de raça rolo de fumaça
Cavalo de pobre é vintém de cobre
Cavalo baiano eu dou pra fulano
Cavalo paulista não abaixa a crista
Cavalo mineiro dizem que é matreiro
Cavalo do sul chispa até no azul
Cavalo inglês fica pra outra vez.
.
Parêmia = provérbio
.

Cotovia - Manuel Bandeira

.
— Alô, cotovia!
Aonde voaste,
Por onde andaste,
Que saudades me deixaste?
.
— Andei onde deu o vento.
Onde foi meu pensamento
Em sítios, que nunca viste,
De um país que não existe . . .
Voltei, te trouxe a alegria.
.
— Muito contas, cotovia!
E que outras terras distantes
Visitaste? Dize ao triste.
.
— Líbia ardente, Cítia fria,
Europa, França, Bahia . . .
— E esqueceste Pernambuco, Distraída?
.
— Voei ao Recife, no Cais
Pousei na Rua da Aurora.
.
— Aurora da minha vida
Que os anos não trazem mais!
.
— Os anos não, nem os dias,
Que isso cabe às cotovias.
.
Meu bico é bem pequenino
Para o bem que é deste mundo:
Se enche com uma gota de água.
.
Mas sei torcer o destino,
Sei no espaço de um segundo
Limpar o pesar mais fundo.
Voei ao Recife, e dos longes
Das distâncias, aonde alcança
Só a asa da cotovia,
— Do mais remoto e perempto
Dos teus dias de criança
Te trouxe a extinta esperança,
Trouxe a perdida alegria.
.

A Borralheira - Luís Guimarães Júnior

.
Meigos pés, pequeninos, delicados,
Como um duplo lilás, se os beija-flores
Vos descobrissem entre as outras flores,
Que seria de vós, pés adorados!
.
Como dois gêmeos silfos animados,
Vi-vos ontem pairar entre os fulgores
Do baile, ariscos, brancos, tentadores,
Mas, ai de mim! como os mais pés, calçados.
.
Calçados como os mais! Que desacato!
Disse eu... Vou já talhar-lhes um sapato
Leve, ideal, fantástico, secreto...Ei-lo.
.
Resta saber, Anjo faceiro,
Se acertou na medida o sapateiro:
Mimosos pés, calçai este soneto.
.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Caixa Mágica de Surpresa - Elias José

Um livro
É uma beleza,
É caixa mágica
só de surpresa.
Um livro
parece mudo,
mas nele a gente
descobre tudo.
Um livro
tem asas
longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe. Um livro
É parque de diversões
cheio de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luzes e balões.
Um livro
É uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata no mar,
um foguete perdido no ar,
É amigo e companheiro.
.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A Avó - Olavo Bilac


A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha! . . .
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
,
Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.
,
Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala . . .
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .
,
A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.
,
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.
,
Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
"Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!"
,
Então, com frases pausadas,
Conta histórias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas . . .
,
E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem . . .
,
* quimera = fantasia, imaginação
,

A Boneca - Olavo Bilac


,
Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
,
Dizia a primeira: “É minha!”
- É minha!” A outra gritava.
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.
,
Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.
,
Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
,
E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca.
,
,,

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O colar de Carolina - Cecília Meireles

,
Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina
O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.
E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral
nas colunas da colina.
,

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Por Mário Quintana . . .



,
No jardim à tardezinha
Chega sempre uma andorinha
,
Tem por nome Margarida
E passa a voar por toda a vida.
,
Nada no mundo lhe escapa
É como se fosse um mapa.
,
trecho retirado de Pé de Pilão - Mário Quintana

,

O Colecionador de Estrelas - Flora Figueiredo

,

O menino de olhos tristes
descalçou os sapatos,
rasgou os contratos
e partiu.
Foi colecionar estrelas.
Algumas delas
deslizaram do escuro
e ofereceram-se encantadas;
outras, lívidas de espanto,
ficaram acuadas sem se entregar,
pois o menino de olhos tristes
destelhara os segredos da noite
e dominara os decretos do mar.
Ao perceber-se abarrotado de estrelas,
o menino içou as velas
e voltou.
Mas - surpreso - constatou
que sua coleção tinha debandado
e retornado a seu próprio território.
Ele olhou o céu novamente estrelado
e dormiu agradecido.
O menino de olhos tristes tinha aprendido
a beijar a vida e abraçar o transitório.
,
Ilustração de Douglas Soares
,

O Marimbondo - Vinícius de Moraes

,
Marimbondo furibundo
Vai mordendo meio mundo
Cuidado com o marimbondo
Que esse bicho morde fundo!
— Eta bicho danado!
Marimbondô
De chocolat
Saia daqui
Sem me morder
Senão eu dou
Uma paulada
Bem na cabeça
De você.
— Eta bicho danado!
Marimbondo . . . nem te ligo!
Voou e veio me espiar bem na minha cara . . .
— Eta bicho danado!
,

O Foguete - João de Deus Santo Filho


Uma vez um foguete
Que tocava trompete
No céu resolveu morar

E tocando o trompete
Com jeito de bem tocar
Se foi o foguete
Pro céu a trompetear.
,
retirado do site:
http://www.colegiosaofrancisco.com.br/
,

Urso Panda - Rosângela Trajano

,
Eu nunca vi
Um urso panda
Mas gosto muito dele
É uma pena que
Existam tão poucos
Numa banda
Do mundo
Ursos pandas
Já não existem.

Será que quando
Eu crescer
Vou conhecer
Um urso panda?
Ou será que os ursos
Terão todos desaparecidos
Deste mundo desprevenido?

Eu sei, eu sei
Logo vou conhecer
Um urso panda
Porque o homem
Não vai viver
Procurando ursos pandas
Ele vai ver
Que isso é intolerável
Abominável, insuportável!

Urso panda
Me aguarde
Logo chego aí
Ainda não é tarde.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Céu Estrelado - Sara Ramirez Vicencio


Deitada neste tapete verde
O gramado do meu jardim
Contemplo estrelado céu
Vejo a lua cheia olhar pra mim.
,
Ouço ao longe o pio da coruja
Vaga-lumes em passeio costumeiro
Bem perto o grito do quero-quero
E o Divino brilhar do cruzeiro...
,
De repente...
Sinto em mim caindo
Enorme galho de árvore S
abem o quê...? Acordei.
,

A Chuva - Rosângela Trajano



Gosto de olhar a chuva
A escorregar pela rua
Na esquina fazer uma curva
Esconder o sol da lua.
,
Pingos de chuva caem
Pelas janelas de vidro
Curioso dou espiadas
Nas pessoas agasalhadas.
,
A chuva deixa mais verde
As árvores dos canteiros
Os açudes sem sede
Sorrisos nos lírios dos jardineiros.
,

O trenzinho - Cleonice Rainho

Num cartaz vermelho,
colei um trenzinho,
pintado de branco.
Tem muitos carros
com suas rodinhas
e a maquininha
espetacular,
correndo nos trilhos
xeque-xeque...sem
parar.

Carrega flores,
frutas, até mantimentos
para o brinquedo
de comidinhas
e as mobílias
das nossas casinhas
de comadres.

Carrega as bonecas
que gostam muito
de passear.

Ano que vem
vou para a escola
e ele vai pesar...
- digo à mamãe.
E ela responde:
- Não vai não,
seu leve sonho de criança
faz o o trenzinho
até voar.

As Flores - Olavo Bilac



Deus ao mundo deu a guerra,
A doença, a morte, as dores;
mas, para alegrar a terra,
Basta haver-lhe dado as flores.
,
Umas, criadas com arte,
Outras, simples e modestas,
Há flores por toda a parte
Nos enterros e nas festas,
,
Nos jardins, nos cemitérios,
Nos paúes e nos pomares;
Sobre os jazigos funéreos,
Sobre os berços e os altares,
,
Reina a flor! pois quis a sorte
Que a flor a tudo presida,
E também enfeite a morte,
Assim como enfeita a vida.
,
Amai as flores, crianças!
Sois irmãs nos esplendores,
Porque há muitas semelhanças
Entre as crianças e as flores...
,

Caixinha de Música - Henriqueta Lisboa


Pipa pinga
pinto pia.
Chuva clara
como o dia
- de cristal.
Passarinhos
campainhas
colherinhas de metal.
Tamborila
tamborila
uma goteira na lata.
Está visto
que é só isto,
não preciso de mais nada.
,

Cadê? - José Paulo Paes


Nossa! que escuro!
Cadê a luz?
Dedo apagou.
Cadê o dedo?
Entrou no nariz.
Cadê o nariz?
Dando um espirro.
Cadê o espirro?
Ficou no lenço.
Cadê o lenço?
Foi com a calça.
Cadê a calça?
No guarda- roupa.
Cadê o guarda-roupa?
Fechado à chave.
Cadê a chave?
Homem levou.
Cadê o homem?
Está dormindo
de luz apagada.
Nossa! que escuro!
,

O sorriso e a flor - Felícia Hortinhas


O sorriso de uma criança,
E o perfume de uma flor,
Fazem renascer a esperança!
Onde acabou o Amor...
,

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Prece - Zalina Rolim



REZAR, filhinhas, é sentir-se a gente
Mais perto de Jesus, do céu mais perto.
Quem volve os olhos deste mundo, sente,
O coração, para outro mundo, aberto.
,
E a doce paz, que inspira a crença, avulta;
E cresce pouco a pouco; e infunde, na alma
Dos que rezam, a fé na força oculta,
Que as agonias desta vida acalma.
,
"E Jesus ouve a todos, Mamãezinha?"
- Sim, meu amor, e dá remédio a tudo;
Nem só ouve, mas olha e adivinha
Muito martírio inconsolado e mudo.
,
E em todos verte o bálsamo divino,
Que conforta, e alivia, e dá esperança,
Como o frescor de um veio cristalino,
Em cujo espelho o nosso olhar descansa.
,
Escuta a voz de tudo o que tem vida,
Desde o animal à planta mais obscura,
E, onde pressente incógnita ferida,
Seus olhos pousa com maior ternura.
,
É por isso que a gente em graça ou pena,
Flutuando em gozo, ou se afogando em mágoa,
Eleva, crente, à vastidão serena
Do céu, os mesmos olhos rasos d'água.
,
Para falar a Deus, nos vossos beijos
Meus lábios muita vez perfumo e adoço;
E, ouço em torno de mim santos adejos,
Quando comigo murmurais: "Pai Nosso!"
,

De Noite - Presciliana de Almeida


,
Traduzo formosa estrofe
De uma poesia alemã,
E o meu filhinho mais novo,
De lábios cor de romã,
Soletra a palavra — ovo —
Com voz pausada e louçã.
,
E a estrofe ingrata e custosa
Eu abandono por fim,
E vou beijar as bochechas
De meu belo querubim.
— Do destino não tem queixas
Quem tem um filhinho assim!
,
Ele interrompe a leitura,
Comigo vem se abraçar,
E a mãe e o filho vadio
Ficam a rir e a cantar!
A tradução perde o fio...
Oh! alegrias do lar!
,
Do Livro "Sombras" (1890-1906), Typographia Brazil, Rothschild&Co., 1906, SP
.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Chovem Duas Chuvas - Cecília Meireles


.
Chovem duas chuvas:
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e nuvens.
.
Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.
.
E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens.
.

No Banco de Jardim - Carlos Drummond de Andrade


.
No banco de jardim,
o tempo se desfaz
e resta entre ruídos
a corola de paz.
.
No banco de jardim,
a sombra se adelgaça
e entre besouro e concha
de segredo, o anjo passa.
.
No banco de jardim,
o cosmo se resume
em serena parábola,
impressentido lume.
.

Segredo - Henriqueta Lisboa

.
Andorinha no fio
escutou um segredo.
Foi à torre da igreja,
cochichou com o sino.
E o sino bem alto:
delém-dem
delém-dem
delém-dem
dem-dem!
Toda a cidade
ficou sabendo.
.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Passarinho no sapé - Cecília Meireles


O P tem papo
o P tem pé.
É o P que pia?
.
(Piu!)
.
Quem é?
O P não pia:
o P não é.
O P só tem papo
e pé.
.
Será o sapo?
O sapo não é.
.
(Piu!)
.
É o passarinho
que fez seu ninho
no sapé.
.
Pio com papo.
Pio com pé.
Piu-piu-piu:
Passarinho.
.
Passarinho
no sapé.
.